Ter confiança é sempre bom, porém ter confiança em excesso a ponto de prejudicar o seu trabalho – e até por sua vida em risco – não é legal. Muito trabalhadores não reconhecem, ou não consideram significante, o perigo proveniente das atividades realizadas em altura. Já outros, por estarem a um tempo considerável atuando na mesma área, se consideram muito experientes e acreditam que as fatalidades nunca poderão ocorrer. Desse modo, acabam expondo suas vidas ao risco de uma maneira totalmente desnecessária. De todo modo, o excesso de confiança, sem dúvida alguma, continua sendo um dos principais fatores para a ocorrência de trabalhos nas alturas. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, cerca de 30% dos acidentes no trabalho que ocorrem anualmente são decorrentes de quedas.  Neste texto mostramos o que são os acidentes em altura, algumas formas de preveni-los e quais são os equipamentos mais importantes nessa área. Confira!

Está gostando do post? Então vem com a gente descobrir um pouco mais sobre esse assunto!

acidente em altura é um dos pontos mais relevantes em relação à segurança e saúde no trabalho. É fundamental minimizar esses riscos para proteger os trabalhadores que exercem esse tipo de atividade. No Brasil, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) comunica algumas normas regulamentando especificações, medidas e outros detalhes a respeito das atividades que podem ser consideradas perigosas ou insalubres. E, nesse caso, o trabalho em altura tem regras específicas. Mas, o que caracteriza um acidente em altura?

Para falar de acidentes em altura primeiro temos que citar a Norma Reguladora nº 35 (NR 35), que regula a área de acidentes em altura, mostra o conceito do trabalho em altura e os requisitos mínimos de proteção para exercê-lo, desde o planejamento, passando pela organização e pôr fim a execução. Toda essa legislação garante a segurança e a saúde dos trabalhadores envolvidos de forma direta, ou indireta, nessas atividades, sempre tendo em vista que os acidentes nessas condições podem trazer consequências severas. O conceito desse tipo de atividade está elencado no item 35.1.2 da NR. Assim, é considerado trabalho em altura toda atividade que é executa acima de 2 metros no nível inferior e onde haja o risco de queda do trabalhador. Ou seja, quando o trabalhador desempenha as suas atividades em locais que estão acima de 2 metros do nível inferior, seja o solo ou não, já é considerado trabalho em altura. A atividade realizada dessa forma traz riscos de alguns acidentes, que estão entre os mais comuns no ambiente de trabalho.

Alguns locais prováveis de ocorrem esses acidentes:

  • Montagem e desmontagem de andaimes.
  • Atividades em sistemas elétricos, como postes e torres de transmissão.
  • Obras de construção civil, como prédios, pontes e viadutos.
  • Trabalhos em grandes armazéns e almoxarifados.
  • Serviços de manutenção e limpeza predial.
  • Trabalhos em pontes rolantes.
  • Escadas.
  • Tubovias.

Vale lembrar que o trabalho em altura não é sempre o mesmo, ou seja, cada ramo de atividade tem suas especificações próprias. É essencial saber que cada ramo requer atenção especifica e diferenciada, além de equipamentos específicos e adequados para a atividade que o trabalhador realizará, colocando em primeiro lugar a saúde e a segurança de todos que estão em risco. Saber como evitar esses acidentes é primordial, principalmente para preservar a integridade física dos empregados e também para que a empresa que está prestando os determinados serviços siga a legislação, mostrando ser integra e se importando com sua equipe. 

Dentre os principais fatores responsáveis pelos acidentes nos trabalhos em altura, podemos destacar:

  1. Excesso de confiança;
  2. Capacitação inadequada dos trabalhadores;
  3. Falta de uso ou uso incorreto dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual);
  4. Descumprimento ou desconhecimento das normas e procedimentos de trabalho;
  5. Ferramentas inadequadas e/ou estruturas comprometidas;
  6. Falta de inspeção nos equipamentos de proteção para trabalho em altura.

Algumas das principais causas de acidentes característicos do trabalho em altura:

  1. Rompimento de telhas por baixa resistência mecânica: Evite caminhar por telhas, principalmente por não saber a real resistência mecânica delas. Para a sua segurança, não realize essa atividade sem os EPI’s corretos;
  2. Tábuas mal posicionadas, curvadas ou deterioradas: Sempre que possível, utilize materiais de alta resistência e procedência conhecida para base dos andaimes. Se não estiver seguro quanto a sua qualidade, substitua as peças duvidosas;
  3. Escorregamento em telhados úmidos, molhados ou com acentuada inclinação: Conforme já mencionado, andar sob telhados é caracterizado uma atividade perigosa. A utilização de andaimes, quando bem montados, traz maior segurança a tarefa;
  4. Mal súbito do empregado (uso de medicamentos, fobias, doenças) ou intoxicação decorrente de emissões de gases, vapores ou poeiras nos telhados, chaminés e torres: Todos os trabalhadores deveram realizar exames conforme estabelecido no PCMSO – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional. Os riscos devem ser avaliados antes, na montagem do projeto, para que não haja surpresas como intoxicação por gases. Em casos como esses a atividade poderá ser suspensa ou equipamentos específicos aos riscos adicionais poderão ser disponibilizados ao trabalhador;
  5. Queda por uso de calçados inadequados e/ou impregnados de óleo ou graxa: Antes de iniciar qualquer atividade em altura, todos os trabalhadores envolvidos deverão realizar uma inspeção prévia de todos os equipamentos, inclusive os de proteção individual, além de avaliarem as condições do ambiente, onde as atividades serão realizadas;
  6. Queda de ferramentas e materiais como parafuso, porca, flange e telha, contra pessoas ou equipamentos: Ao realizar uma atividade em altura, nunca deixe equipamentos ou ferramentas próximos as extremidades de base em que você se encontra. Além disso, utilize os chamados rodapés, principalmente nas atividades realizadas em andaimes. Bolsas e caixas apropriadas para carregar e manter ferramentas e equipamentos são extremamente importantes;
  7. Içamento de ferramentas e materiais: Antes de iniciar um içamento de ferramentas e/ou materiais, isole e sinalize a área onde uma possível queda de um determinado objeto possa gerar um acidente. A passagem de pessoas por essa área delimitada deve ser proibida;
  8. Transporte de materiais sobre o telhado: Ao transportar materiais sobre telhados, o trabalhador poderá concentrar sua atenção nessa atividade e desmobilizar em relação aos riscos de quedas. Desce ou subir segurando materiais ou determinados volumes deve ser evitado;
  9. Deslocamento sobre a borda dos prédios: Atividades em bordas de prédios ou telhados devem ser evitadas. Sempre que possível utilize andaimes e esteja seguro que o seu equipamento de proteção contra queda é adequado e que foi devidamente montado e ancorado.
  10. Escada de acesso ao telhado sem a devida proteção: Além de usarem escadas em perfeitas condições, os trabalhadores devem estar seguros de que, tanto a base quanto o topo da escada, estejam devidamente fixados para evitar um escorregamento. 

Como evitar os acidentes em altura?

A melhor forma para evitar o acidente em altura é seguindo as determinações da Norma Reguladora nº 35. Colocando isso em prática os trabalhadores estarão mais seguros e o empregador garantirá que a norma está sendo respeitada, preservando a integridade física de seus colaboradores e cumprindo a legislação trabalhista.

A NR 35 enumera responsabilidades tanto para empresa quanto para as pessoas que nela trabalham, garantindo a proteção de todos que frequentam o local de trabalho.

Dicas para a empresa:

  • Garantir que sejam implementadas as medidas de proteção da NR;
  • Desenvolver um procedimento de operações para as atividades em altura;
  • Acompanhar o cumprimento das medidas de proteção da NR e das empresas de segurança do trabalho;
  • Garantir que os empregados tenham informações atualizadas sobre os riscos da atividade e de todas as medidas de segurança;
  • Assegurar que o trabalho em altura seja sempre feito sob supervisão, de acordo com a análise de riscos e a atividade bem como um plano de resgate de vítimas de eventual acidente.

Já para os empregados, a Norma lista 4 responsabilidades:

  • Cumprir todas as disposições da lei e das normas a respeito do trabalho em altura, inclusive as obrigatoriedades que o empregador impõe;
  • Colaborar sempre com o empregador garantindo que as medidas de segurança estejam sendo implementadas;
  • Interromper suas atividades sempre que for constatada uma evidência de riscos graves para a sua segurança e saúde bem como demais envolvidos;
  • Zelar pela própria segurança e também das outras pessoas que frequentam os locais em que há trabalho em altura.

Também é essencial que haja capacitação e treinamento de todos os empregados que trabalharão nas atividades em altura. Esse treinamento deve ocorrer, pelo menos, a cada dois anos e sempre que ocorrer alguma alteração nos procedimentos ou condições do trabalho, mudança de empresa, retorno de afastamento por mais de 90 dias ou condições especiais na atividade de trabalho em altura. Para que os trabalhadores sejam adequadamente capacitados, assim como os gestores da empresa e, até mesmo os instrutores responsáveis pela capacitação, precisa-se tomar conhecimento prévio de todos os riscos eminentes no local de trabalho. Lembrando que a Norma Reguladora nº 35 estabelece claramente, a responsabilidade do empregador de fornecer todos os treinamentos necessários para que todos os trabalhos sejam realizados com segurança (O conteúdo programático está elencado no item 35.3.2 da NR 35).

Existem algumas dicas para que o trabalhador reduza os riscos de acidente em altura, por exemplo:

  • Não ultrapassar a carga máxima indicada nas escadas e andaimes;
  • Seguir todas as instruções do treinamento e a indicação dos fabricantes dos equipamentos utilizados;
  • Sempre verificar a condição de estrutura e a manutenção dos equipamentos como escadas, andaimes e plataformas;
  • Utilizar todos os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) indicados pelo técnico de segurança do trabalho.

O mais importante é seguir todas as instruções da NR 35, além de oferecer um bom treinamento para todos os empregados, levando em conta as especificidades de cada ambiente de trabalho.

Quais são os EPIs e Sistemas de Proteção Contra Quedas mais importantes?

Os EPIs são peças indispensáveis para reduzir os riscos de acidentes de trabalho em altura, além de ajudar a diminuir os efeitos negativos que podem acontecer nessas atividades. Eles protegem a saúde e integridade física do trabalhador e só podem ser vendidos quando trazem o Certificado de Aprovação (CA) válido emitido pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

A empresa deve sempre adquirir o tipo adequado Sistemas de Proteção Contra Quedas e EPI segundo os laudos técnicos elaborados e as sugestões do especialista em segurança do trabalho que avaliou a empresa. Além disso, devem ser consideras a função e a atividade de cada empregado.

O empregador também deve fornecer um treinamento para o empregado ensinando o uso adequado desses equipamentos além de fiscalizar e exigir a utilização sempre que necessário. Deve-se ressaltar também que quando o equipamento for perdido ou danificado, deve-se ser providenciada imediatamente a substituição desse item em específico.

Já os empregados têm a obrigação de usar todos os EPIs exigidos pela empresa e pelos especialistas, ressaltando que não se trata apenas de uma mera formalidade, mas sim uma forma de garantir a preservação da saúde e integridade física de cada trabalhador.

É obrigação do trabalhador também comunicar quando ocorrer qualquer alteração nos equipamentos que possa tornar o seu uso impróprio, como rasgos nas luvas, riscos nos óculos, rachaduras, entre outros.

Listaremos aqui os EPIs mais específicos e importantes para trabalhos em altura:

  • Cinto de segurança do tipo paraquedista;
  • Trava quedas;
  • Talabartes (ajustáveis, simples e duplos tipo Y);
  • Linhas de vida vertical e horizontal;
  • Ancoragens;
  • Capacete com jugular;
  • Botina;
  • Luva de segurança.

Com o conhecimento dos EPIs e as normas relativas à segurança do trabalho, é possível fazer um bom planejamento para medidas de prevenção a respeito do acidente em altura, preservando a saúde e a integridade física dos trabalhadores e cumprindo a legislação.

DICAS:

  1. Se existir alternativa, realize a atividade em solo. Evite o trabalho em altura;
  • Planeje cuidadosamente e nunca subestime o risco;
  • Selecione adequadamente os equipamentos que serão utilizados;
  • Inspecione meticulosamente cada equipamento;
  • Esteja seguro de que o método de trabalho está correto e condizente a análise de risco realizada previamente ao trabalho;
  •  Prefira sempre dispositivos fixos de acesso, como passarelas ou equipamento de içamento como plataformas aéreas ao invés de escadas móveis;
  • Se possível, evite trabalhar sozinho.

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Referência:

CONECT – https://conect.online/blog/acidente-em-altura-aprenda-como-evitar-em-sua-empresa/#:~:text=A%20melhor%20forma%20para%20evitar,e%20cumprindo%20a%20legisla%C3%A7%C3%A3o%20trabalhista.

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