O choque elétrico é, infelizmente um dos grandes motivos de perda de vidas. A negligência, o desconhecimento dos riscos, ou mesmo o descaso levam profissionais ou pessoas sem conhecimento em eletricidade a se aventurarem e, consequentemente, ao acidente, muitas vezes fatais. Em muitos casos, o simples uso de um dispositivo de proteção adequado como é o caso do DR – Dispositivo Diferencial Residual, por exemplo, pode evitar choques com consequências trágicas. Outros acidentes, como incêndios por sobrecarga de energia, podem ser evitados quando o trabalho, mesmo que de natureza não elétrica (construção civil, por exemplo), mas em proximidade de eletricidade, são realizados com análise prévia dos riscos, incluindo os riscos elétricos. Nesse texto traremos dados extraídos do anuário lançado pela Associação Brasileira de Conscientização para Perigos da Eletricidade (Abracopel) sobre choques elétricos e incêndios por sobrecarga de energia. 

Figura 1 – Acidentes e mortes envolvendo eletricidade em 2020

A entidade vem organizando os dados de acidentes de origem elétrica desde 2013, criando assim um anuário único no país que mostra um cenário muito preocupante.

Está gostando do post? Então vem com a gente descobrir um pouco mais sobre esse assunto!

De acordo com o Anuário Estatístico de Acidentes de origem elétrica 2021 – com dados baseados no ano de 2020 – lançado pela Abracopel mostra um declínio nos dados sobre choques elétricos e acidentes causados por sobrecargas elétricas (incêndios e curtos circuitos) apurados. A série histórica mostra um recuo nos acidentes no ano de 2020, após ano a ano de crescimento. Uma parte deste recuo é atribuído à redução das atividades devido à pandemia, com esta redução é normal que os números sejam menores. Entretanto, quando olhamos os números de acidentes fatais com choque elétrico, vemos que a redução foi insignificante.

Figura 2 – Comparativo de acidentes. Serie histórica 2013 – 2020.

As mortes por choque elétrico que, em 2019, somaram 697, em 2019 os números baixaram para 691, um declínio de 0,8%. Já os incêndios originados por sobrecargas de energia e posterior curto-circuito diminuíram ainda mais: em 2019 foram 656 incêndios com 74 mortes, 2020 fechou com 583 incêndios e 21 mortes. Os acidentes com descargas atmosféricas (raios) diminuíram de 85 para 66 ocorrências e de 50 para 47 mortes, de 2019 para 2020.

Figura 3 – Morte por choque elétrico x região.

A região Nordeste continua campeã nos números de ocorrências e mortes. O Estado da Bahia vem liderando o ranking de acidentes fatais com choque elétrico há anos, perdendo um ou outro ano para São Paulo, e neste ano, mais uma vez, voltou à liderança. É uma realidade preocupante, pois um estado grande territorialmente, apresenta um número muito grande de acidentes dentro de casa – quase 40%, local onde teoricamente deveríamos nos sentir mais seguros. Os números não são exclusivos da Bahia, pois todos os estados apresentam números grandes de acidentes em ambientes residenciais. O uso de DR, sistema de aterramento adequado e profissional capacitado e atualizado é uma ferramenta para que haja modificação deste cenário.

Figura 4 – Incêndio por sobrecarga e mortes x região.

Diferente do caso de acidentes com choques elétrico, em que a Região Nordeste – mais especificamente, a Bahia – é recordista, quando o acidente é causado por incêndio originado em uma sobrecarga de energia e, consequente, curto-circuito, a Região Sudeste se destaca. São Paulo aparece novamente e, com grande destaque, neste tipo de acidente com 93 ocorrências, sendo o campeão absoluto no ranking de estados brasileiros com mais casos de incêndios por sobrecarga. As principais causas destes incêndios podem ser a falta de preocupação com a instalação elétrica, o uso indiscriminado de equipamentos elétricos no mesmo circuito, o uso de produtos de má qualidade e, ainda, a contratação de profissionais sem qualificação para realizar manutenções.

Figura 5 – Maiores causas de choque elétrico 2020.
Figura 6 – Maiores causas de choque elétrico (eletrodoméstico).

As imagens 5 e 6 acima representam as maiores causas de choque elétrico e mostram que os fios partidos, que representam pontos de contato expostos, ou seja, extensões com isolamento falho (o famoso “fio desencapado”), tomadas sem tampas ou instalações elétricas, provisórias ou não, sem os devidos cuidados, são o motivo de grande parte dos acidentes, concorrendo com os eletrodomésticos, que na tabela da imagem 6 traz a máquina de lavar e o carregador de celular como os grandes motivos dos acidentes. Ambos os casos estão dentro do clássico caso de instalação elétrica fora de norma, ou seja, sem o DR. Este dispositivo, se instalado, desligaria o circuito imediatamente, preservando a vida destas pessoas.

Figura 7 – Incêndios por sobrecarga – tipologia.

As residências representam mais do que 50% dos incêndios gerados a partir de sobrecarga e/ou curto-circuito nas instalações elétricas. Este número é mais uma vez alarmante, pois trata de um ambiente em que, teoricamente, as pessoas deveriam se sentir mais seguras. O maior problema é o uso de equipamentos sem uma instalação elétrica adequada. Os ventiladores e ares-condicionados continuam no topo da lista de incêndios (62 ocorrências e 11 mortes), especialmente no Nordeste, os ventiladores velhos e instalações elétricas em péssimas condições continuam a causando tragédias. Importante apontar para

os incêndios com carregadores de celular que continuam crescendo e causando incêndios e até mortes (17 ocorrências e 02 mortes). Dispositivos de proteção contra sobrecorrente (Disjuntores e Fusíveis), devem ser coordenados com os condutores (fios), para que a eletricidade seja desligada, quando a capacidade dos condutores seja ultrapassada, preservando assim a integridade dos condutores e garantindo que estes não fiquem quentes a ponto de iniciar um incêndio.

Imagem 8 – Choques elétricos fatais em redes aéreas por profissão/ocupação.

A eletricidade pode levar a óbito todos os tipos de pessoas e profissionais. Desde pedreiros, pintores e ajudantes, passando por agricultores, faxineiros e estudantes, chegando a profissionais de empresas ou autônomos – listados acima na imagem 8. Essa última categoria de trabalhadores citada no gráfico da figura 8 nos chamam atenção, já que “teoricamente” são profissionais que conhecem eletricidade e conhecem o RISCO que a eletricidade oferece e, portanto, é esperado que não houvesse acidentes. Este tipo de acidente acaba acontecendo, na maioria dos casos, pelo descaso de certos profissionais que mesmo familiarizados os riscos, se arriscam ao não elaborar um plano de trabalho seguro, fazendo a análise de risco previamente e estabelecendo os métodos e os equipamentos de proteção individual e/ou coletiva.

Não podemos deixar que esta tendência de acontecimentos de acidentes se perpetue por longos tempos, precisamos urgentemente, tomar medidas de alerta para a população que não está tão familiarizada com a assuntos relacionados a eletricidade e, também, para os profissionais da área, para que assim busquem uma mudança neste cenário que nos foi apresentado.
Falar de números e dados parece algo muito frio, mas são esses números sólidos, em sua frieza, que nos mostram a realidade e, principalmente, nos indicam caminhos para mudarmos esse cenário caótico. Importante salientar que quase 100% destes acidentes não deveriam ter acontecido se as pessoas fossem mais informadas a respeito dos riscos que a eletricidade oferece quando não é respeitada. Por isso, chame um profissional qualificado para fazer todo e qualquer projeto elétrico em sua casa.

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Referência:

Anuário Estatístico de Acidentes de origem elétrica 2021 – lançado pela Associação Brasileira de Conscientização para Perigos da Eletricidade (Abracopel)

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